A RAINHA E SEUS SÚDITOS

09/03/2017 17:12

Em uma terra distante havia um novo rei que foi coroado pela população que habitava o lugar. Todos ficaram felizes com as novas propostas deste rei que de muito longe veio para governar em favor daqueles humildes súditos. Estas pessoas tinham sofrido muito na mão de seu antigo rei que pensava e queria somente seus tributos, mas nada fazia por eles. Enraivecidos com a situação encontram uma forma de livrar-se do malvado rei, um eunuco o traiu colocando veneno em sua taça de vinho, livrando a todos do tiranismo de tal rei.   

 

   Ele não tinha herdeiros masculino e sua filha casou-se com um homem de uma terra muito distante. Este novo rei foi recebido com festas e muitas honras, todos desejavam que ele se sentisse bem-vindo em sua maltratada aldeia. O rei por outro lado prometeu ser justo, trabalhar para o povo e pelo povo, principalmente para ajudar os pobres os mais maltratados dentro todos, “venho governar somente para vocês”, dizia ele, animando a todos.

 

  Começou incentivar os pobres a comprar as mais diversas mercadorias, dizia que todos em todas as casas deviam ter o devido conforto e comprar não somente o que fosse necessário, mas também comprar outras coisas não tão necessárias assim, aumentando seu conforto e o bem-estar de suas famílias. Incentivava o consumo desenfreado de produtos, mesmo que para isso tivesse que colocar o tesouro do palácio a disposição do povo, emprestando tudo a eles.

 

  Vários sábios do reino alertaram o povo para que parassem com aquele consumismo desregrado, não teriam como pagar por todas as coisas supérfluas que estavam comprando e acabariam endividados sem o planejamento adequado. Consultado o rei respondia para seu povo, dizendo que estes sábios de fato nada sabiam, somente eram movidos pela opinião da elite branca, não queriam que todos eles tivessem mais conforto, comprando tudo o que sempre quiseram para suas casas, melhorando o conforto de suas humildes famílias.

 

  Comprem... Comprem... Era a palavra de ordem do momento e quando não tiverem dinheiro para comprar, abro as portas do tesouro do palácio e empresto para todos, com baixíssimo juros e muito tempo de prazo para pagar.  Os súditos pobres e ignorantes, não se fizeram de rogado e cada dia que passava, compravam de tudo para todos.

  Assim aumentavam a produção das empresas, que tinham que correr para dar conta das grandes remessas de mercadorias que precisavam ser entregues todos os dias, aumentando assim as ofertas de novos empregos. Parecia que o rei tinha razão, o vale onde moravam estava cada dia mais florido, com diversas oportunidades para novos negócios, desemprego quase zero, aumentado as vendas e o crédito era facilmente liberado na praça, sem qualquer burocracia.

 

   Passaram-se oito anos e a economia começava a dar sinais de fraqueza, o rei dizia que estava tudo bem, mas a cada novo dia os súditos começaram ouvir comentários sobre possíveis, fraudes, roubos, favorecimentos e muita corrupção, tudo no reino estava a venda e era possível tudo comprar, desde que tivessem dinheiro para pagar. Mas o povo inculto ignorava os sinais e nem o alerta das pessoas mais sábias do reino foram suficiente para frear o consumismo desenfreado e a demanda por novos crédito, aumentava a cada dia o endividamento do povo.

 

    Ao fim de oito anos o rei  viajou para um reino muito distante, deixando sua companheira reinando em seu lugar.  Ela também continuou incentivando o povo com suas falsas promessas de fartura para sempre e ainda criou um sistema de esmola, pago pelos próprios súditos, mas claro, todos eles que necessitavam do dinheiro prontamente concordaram.

 

   Na ausência do rei a rainha nada fez para mudar a situação do povo, os deixou perdidos em sua própria ignorância, comprando tudo o que desejassem, alimentados por ela e seus sistemas de empréstimos do tesouro real. Os súditos com a cabeça nas nuvens, não percebiam a cilada e continuavam a comprar cada dia mais, participavam das festas da rainha, seus numerosos bailes de gala e espetáculos teatrais, todos promovidos e pagos por ela, que gastava indiscriminadamente os tesouros reais, mas, na verdade, este tesouro pertencia ao povo.

 

    Mas, toda festa uma hora tem que terminar e passando os primeiros quatro anos sem o rei, tudo desabou. Seus leais súditos foram surpreendidos com o aumento inesperado do preço pago pela sua alimentação, seu dinheiro perdeu o valor e quando mais precisavam, o crédito sumiu. Muitas empresas começaram a fechar e o desemprego começou a bater na porta deles, muitos súditos ficaram desempregados, sem condições de alimentar suas famílias.

 

   Alheia ao sofrimento do povo, a rainha aumentava os tributos para compensar o crescente rombo do tesouro real e o povo sem saber o que acontecia, esperava todos os dias que a crise passasse, mas ela não passava. Em pouco tempo todos acabam escravos da rainha, não tiveram condições de pagar suas dívidas e quando mais precisavam dela, a própria fechou o palácio e virou as costas para seu povo.  Agora todos eram seus escravos e escravos não tinham direitos...


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