Consequencias de um acidente de trabalho

28/04/2016 17:27
 
Por Sergio Weinfuter
 
   Este episódio curioso relatado no jornal de segurança A Norminha (2016) mostra muito claramente o drama que vive um trabalhador acidentado e sua recuperação lenta. O jornal conta a história do auxiliar de produção Carlos Alberto Mariotti, 42 anos, que teve sua mão “engolida” por uma máquina, perdendo todo o couro e partes dos dedos do membro. “Ele foi submetido a uma cirurgia para tentar reparar a perda de pele da mão esquerda e a amputação parcial dos dedos indicador e médio.” (A Norminha, 2016).   
  Correndo o risco de perder o membro pela consequência e complicações do acidente de trabalho, os médicos tiveram a curiosa ideia de “esconder” o membro ferido dentro do abdome do homem.  “o catarinense deverá passar seis semanas com a mão dentro do abdômen, em uma espécie de bolso criado para evitar infecções.” (A Norminha, 2016).   
  Segundo relata o jornal com depoimento da própria vítima “O acidente aconteceu na noite de 29 de março enquanto operava uma máquina de fabricar bobinas. — Na hora em que fui passar o filme, a máquina não abriu. Começou a puxar a pele da mão. Gritei uma vez, duas. Na terceira, puxei toda a mão —, conta Carlos.” (A Norminha, 2016). Para evitar algo pior, sem uma melhor alternativa diante da situação em que se encontrava, agiu da melhor forma que conseguiu pensar, resultando nas consequências relatadas por ele, mas não perdeu completamente sua mão.     
  Mesmo com toda dor que sentiu no momento do acidente ainda o pior estava por vir. Segundo A Norminha (2016) “Os gritos de Carlos demoraram a ser ouvidos por causa do barulho das máquinas. Depois que recebeu os primeiros socorros de colegas, foi levado pelos bombeiros ao hospital.” Segundo Carlos relata “Por enquanto, só mexo o dedo polegar. Os outros estão dormentes e, se eu mexer, dói — diz o catarinense, explicando como está a mão dentro do abdômen.” (A Norminha, 2016).     
  Com toda certeza não é a coisa mais confortável do mundo, mas ele tem que manter o membro desta forma. “O médico ortopedista e traumatologista Bóris Brandão, que operou Carlos, explica que manter a mão dentro do abdômen possibilita o desenvolvimento de tecido de granulação, apropriado para receber pele nova.” (A Norminha, 2016)    Este procedimento não poderia ser em outra região, pois segundo o médico afirma “Essa região foi escolhida porque, era a única onde caberia a mão. — Esse procedimento evita infecção, porque oferece uma cobertura natural com o próprio organismo do paciente. Dá chance de o organismo reagir, de se recuperar. Se ficasse exposto, o tecido morreria — detalha.” (A Norminha, 2016).  
  Mas isso não é tudo  “Após as seis semanas com a mão "guardada", Carlos passará por uma nova cirurgia. A ideia é reimplantar pele na mão: parte oriunda do próprio abdômen, parte vinda de enxerto – transposição de pele de uma parte do corpo para outra região. — O objetivo do tratamento é que sejam devolvidos movimentos.” Mesmo com todos estes procedimentos Carlos não recuperará todos os movimentos da mão como estava antes do acidente, mas segundo Brandão “Não todos, mas um bom movimento de pinça, para que ele possa segurar uma ferramenta, um talher, dirigir um automóvel. Vai ser uma mão funcional —, explica Bóris.” Isso já é um começo.(A Norminha, 2016).  
  Não para por ai a lenta recuperação que não somente afeta o trabalhador, seu corpo, sua vida, sua saúde, mas também sua família. Todos ficam envolvidos em sua recuperação e até as crianças 
que nada ou pouco sabem sobre o assunto, querem ajudar. No caso relatado o mais comovente foi a declaração do único filho de Carlos, Guilherme Matos Mariotti, 8 anos. “No dia seguinte ao acidente do pai, o menino já estava no hospital pronto pra prestar solidariedade. Quando Carlos contou o que tinha acontecido com seus dedos, o filho se prontificou a ajudar. — Não tem problema, pai, eu dou os que eu tenho bonzinhos pro senhor.” (A Norminha, 2016).    O relato revela parte do que acontece com os acidentados em nosso país, com a precária situação da saúde pública, Carlos teve sorte de contar com médicos bons e competentes para realizar o procedimento mais adequado, afim dele se recuperar o mais breve possível. Mesmo assim envolveu toda sua família, parentes e amigos, muitos dos quais seus parceiros de trabalho.  
  No dia 28 de Abril lembramos das vítimas de acidentes de trabalho, muitas das quais não tiveram a sorte de Carlos, não tiveram uma segunda chance, perecendo em seus locais de trabalho. O Brasil se encontra no quarto lugar de países que mais matam trabalhadores e o drama de Carlos se repete em muitas famílias no Brasil e no mundo e nem sempre isso chama a atenção de nossas autoridades, para o grave risco que os trabalhadores correm todos os dias ao seguirem para seus locais de trabalho. 
 
Fonte: Jornal A norminha. Ano 08, número 359. São Paulo, SP. 21 de Abril de 2016.

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