Testemunhas de um acidente de trabalho fatal

18/06/2016 14:28
Por: Sergio Weinfuter
 

   Minha esposa levantou-se cedo para uma consulta médica que estava agendada há mais de um mês. Estava animada e após aprontar-se, seguiu em direção a clínica que fica no edifício Salutare na cidade de Brusque no vale do Itajaí, estado de Santa Catarina. 

   Estava muito animada, mas não sabia que seu dia teria uma grande reviravolta. Enquanto aguardava sua vez de ser atendida na clínica, ouviu um estrondo que chamou sua atenção e logo várias outras pessoas se dirigiram até a murada do prédio, ao olharem para baixo, e se depararam com um trabalhador caído na calçada.   

   Segundo descrição de minha própria esposa que chegou poucos minutos logo após o acidente “a vítima estava de olhos abertos, sem reação e o sangue já empapava a parte de trás de sua cabeça, foi terrível.” O dia a dia da clínica foi alterado, as demais pessoas que presenciaram o fato estavam assustadas, algumas entraram em estado de choque.   

  Os colegas que trabalhavam com a vítima no momento do acidente estavam inconformados ao lado de seu amigo, mas não tinham como auxiliá-lo, visto a gravidade de seus ferimentos. A vítima caiu de uma altura de cinco andares, em uma das laterais do edifício diretamente no piso de concreto e venho a falecer no local do acidente.   

  Posteriormente foi notificado pelos veículos de imprensa que a vítima tinha somente vinte e três anos de idade. O jovem teve traumatismo craniano encefálico. Esse trabalhador não estava utilizando os equipamento de segurança conforme determina a NR 35, caso estivesse utilizado somente uma corda, já teria evitado a queda fatal.   

 O mais revoltante para as testemunhas foi quando o diretor da empresa de refrigeração chegou ao local do acidente, ele estava mais preocupado com suas máquinas espalhadas pelo chão e que alguém as furtassem do que com seu trabalhador que estava estendido no chão sem vida, pela falta de um simples equipamento de segurança, que sua empresa deveria ter disponibilizado, treinado e conscientizado eles da importância de seu uso.  

  Jamais as testemunhas que estavam no prédio, tão próximo ao acidente esquecerão esse dia trágico, onde em uma manhã tranquila próximo a um consultório médico foram testemunhas oculares de mais um dos múltiplos acidentes de trabalho fatais, acidentes esses que vem matando os mais diversos profissionais que trabalham sem os equipamentos de segurança adequados.   

  Nessa manhã todos eles, patrões e empregados, médicos e pacientes foram unidos pelo sentimento de perda, o singular sentimento de tragédia, um sentimento de impotência e alguns até de raiva, cada qual reagindo a sua forma, mas todos sentiram pelo resto do dia a perda de uma vida.

  Enquanto os empregadores não se conscientizarem e protegerem seus profissionais em seu ambiente de trabalho, tragédias iguais a essa vão continuar ocorrendo e os demais trabalhadores e espectadores testemunharão os horrores que a insegurança no trabalho proporciona, unindo a todos pelo mesmo sentimento de perda, todos conscientes que estão sendo testemunhas de mais um acidente de trabalho fatal.

 

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