PAIXÕES POLITICA E O TRABALHO

15/04/2016 17:26
 

“Nada mais cretino e mais cretinizante do que a paixão política. É a única paixão sem grandeza, é a única que é capaz de imbecilizar o homem.” (Nélson Rodrigues)

 
 Por Sérgio Weinfuter
 

  O que dizer de uma médica pediátrica que se recusa atender um paciente devido a mãe votar no Partido dos Trabalhadores (PT)? O que dizer a uma profissional que deixa as opiniões e escolhas dos seus pacientes influenciar como serão tratados por ela, e se serão... Não há o que dizer...   A não ser que esta médica se esqueceu de tudo que estudou sobre moral e ética, esqueceu-se das pessoas, esqueceu-se do ser humano, esqueceu-se de seus juramentos, esqueceu-se de si mesma. Esqueceu-se que a vida é mais importante que qualquer decisão pessoal que tomamos movidos por orgulho e preconceito, esqueceu-se que seus pacientes são crianças que vivem em um mundo onde não existe política, não há ideologias, preconceitos ou qualquer outro rotulo idealizado pela sociedade, a não ser, a sua inocência.   

  Como será explicar a criança que sente dor e depositou todas as suas esperanças na “doutora” a sua frente, mas esta se recusa atendê-la poque não concorda com as escolhas pessoais da mãe de sua paciente? Com certeza em sua inocência não saberá entender porque foi rejeitada pela profissional que era sua esperança. Talvez a única!   No juramento de Hipócrates está descrito “A vida que professar será para beneficio dos doentes e para o meu próprio bem, nunca para prejuízo deles ou com malévolo propósito.” Parece que a profissional deixou ser levada por suas opiniões e ideologias, tão profundamente que começou atrapalhar seu local de trabalho ou teve influencia exterior, pois o sindicato que a profissional faz parte lançou uma nota dizendo: “Se não vai ser prazeroso para ti atender aquela pessoa, tu deves dizer para ela.”    

  Não sei o que é pior, a profissional negar-se atender uma criança ou a orientação do seu sindicato. Somente uma coisa sei, ambas as ações são absurdas e não condiz com o tratamento a um ser humano, muito menos este ser humano sendo uma inocente criança.   Quando preferências, ideologias, ufanismos, preconceitos e outros absurdos deixam interferir no ambiente de trabalho, utilizando destes artifícios para dizer quem será atendido, quem vive ou morre, quem será promovido e quem nunca sairá de seu atual cargo, precisamos parar e repensar.   

  Já faz muito tempo que o ser humano vem se perdendo e perdendo sua sensibilidade. Cada dia mais somos cobrados pela produtividade, efetividade e resultados positivos, não importando a área que atuamos, todos estão sobre pressão. Mas, quando os interesses das empresas e profissionais ultrapassam a ética e a moral, deixando o ser humano e a vida humana em segundo plano, concentrando-se somente no lucro ou no bem-estar da empresa, começamos a trilhar o caminho fácil para a bestialidade.     

  Infelizmente esse episódio é somente um dos muitos que acontecem diariamente ao redor do mundo e em sua maioria, ninguém fica sabendo. É o chefe que promove sua amante, seus amigos, parentes e vizinhos, sem ao menos eles terem competências necessárias para assumir os cargos “adquiridos” por eles. Outros promovem somente funcionários que compactuam com seus pontos 

de vista e os que não enxergam do mesmo jeito e muitas vezes apontam seus erros, caem em desgraça, nunca são promovidos.   Sem falar nos cargos que são negociados todos os dias, tráfico de influencias e por ai a fora, com vários benefícios em troca, sem nem ao menos verificarem o curriculum do pretendente. Se ele for amigo de alguém influente será atendido, estará empregado, caso contrário, seu curriculum não tem o menor efeito. Pior ainda se não torcer para o mesmo time, não gostar das mesmas coisas ou não votar no mesmo partido, nunca vai conseguir crescer na empresa.  

  O ser humano vive de paixões e durante sua vida vivem uma grande variedade delas, mas isso não pode afetar o seu ambiente de trabalho e ditar as regras do que será feito ou para quem será feito. Não poderemos fazer somente o que gostamos e com o que nos sentimo bem. Devemos lembrar de nossos juramentos, promessas e o que mais fizermos e não colocar o lucro, a ambição, a riqueza, a ganancia, o supérfluo a frente do seu humano, a frente da vida humana. Não podemos deixar as paixões interferirem em nosso ambiente de trabalho. 


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